Leiria precisa de transporte público que chegue a todos
O contraste entre o centro e as freguesias revela desigualdades preocupantes
Leiria é frequentemente apresentada como uma cidade vibrante e dinâmica, mas a realidade vivida nas freguesias periféricas, como o Amor, é bem diferente. Para quem depende de transporte público, deslocar-se até ao centro é um verdadeiro desafio — algo que a imagem que o município projeta nas redes sociais não revela.
(Imagem meramente ilustrativa)
Casal Novo: o exemplo de um isolamento persistente
Mesmo em 2026, o Casal Novo continua a evidenciar um problema de mobilidade gritante. Jovens que querem estudar ou trabalhadores que necessitam de chegar ao centro de Leiria enfrentam enormes dificuldades. Sem carro próprio, a mobilidade é praticamente inexistente.
A rede de transportes do concelho continua a falhar no essencial: horários adequados à vida das pessoas e uma cobertura que não deixe de fora as localidades fora do eixo principal da cidade.
Uma cidade a duas velocidades
O crescente fosso entre o centro e as freguesias preocupa. A gestão municipal investe na atratividade do centro, mas muitos habitantes das freguesias lutam diariamente por direitos básicos de deslocação.
Leiria só será verdadeiramente forte quando quem vive no Casal Novo se sentir tão “cidadão de primeira” como os residentes da Avenida Marquês de Pombal.
Cohesão territorial como prioridade
É urgente implementar uma política de coesão territorial que trate as freguesias como coração do concelho e não meros dormitórios. O desenvolvimento de Leiria depende da capacidade de garantir transporte e progresso a todas as casas, não apenas ao centro.
Dar voz a quem tem sido esquecido
O momento exige atenção e soluções concretas para quem tem sido deixado para trás. Investir em transporte público acessível e abrangente não é luxo: é uma questão de justiça social e de desenvolvimento sustentável para todo o concelho.

