Alvaiázere Quatro Dias Após a Tempestade: Apoio Escasso e População Desalojada
Município fortemente afetado e ainda a avaliar estragos
Os cerca de 160 km² do território municipal, no distrito de Leiria, sofreram impactos generalizados, com aldeias temporariamente isoladas e um clima de receio entre os residentes, especialmente os mais idosos. Seis dessas pessoas deslocadas necessitam de oxigenoterapia contínua, referiu o autarca a partir do posto de comando instalado no quartel dos bombeiros.
Ainda não foi possível apurar o total de habitações e unidades industriais danificadas. Nas primeiras horas após o temporal, várias localidades ficaram inacessíveis devido a árvores tombadas sobre as vias.
Feridos, energia reposta com geradores e apelo à prudência
Durante a primeira noite registaram-se dois feridos — um com lesões ligeiras e outro em estado mais delicado — além de um bombeiro que sofreu um incidente menor em serviço, já com alta hospitalar.
O fornecimento de eletricidade começou a ser restabelecido na tarde de sexta-feira na vila sede, recorrendo à instalação de cerca de 20 geradores em serviços prioritários e instituições sociais. Grande parte da rede viária principal e secundária deverá ficar operacional até ao final do dia, resultado de um esforço intenso das equipas locais, que o autarca descreveu como “hercúleo”. Ainda assim, alertou para a necessidade de cautela por parte de voluntários que se desloquem ao concelho.
Persistem dificuldades nos caminhos florestais que dão acesso a infraestruturas elétricas de média e baixa tensão, sendo essencial garantir a sua desobstrução.
Comunicações em recuperação e papel decisivo das Forças Armadas
A operadora Altice comprometeu-se a restabelecer a rede móvel na principal antena do concelho, o que permitirá reduzir a dependência da ligação via Starlink, utilizada nos últimos dias para assegurar acesso à internet.
O presidente da câmara destacou o contributo determinante do exército, que forneceu dois geradores e evitou, na madrugada de sexta-feira, falhas graves no abastecimento de água. Pediu ainda solidariedade nacional, quer de cidadãos de zonas não afetadas, quer de vários setores institucionais, incluindo forças armadas, saúde e administração interna.
Pavilhão Municipal transformado em centro de acolhimento e saúde
Unidade de saúde danificada e serviços prestados em condições de emergência
O pavilhão municipal funciona atualmente como abrigo temporário para 31 pessoas e acolhe provisoriamente o centro de saúde local. A coordenadora da USF de Alva Várzea, Maria João Magalhães, explicou que as instalações originais sofreram danos extensos na cobertura e no isolamento, ficando sem energia nem comunicações.
Apesar disso, no próprio dia da tempestade ainda foi possível atender situações urgentes com recurso a lanternas de telemóvel, sendo as comunicações asseguradas através de deslocações ao quartel dos bombeiros. Chuvas intensas no dia seguinte provocaram inundações no edifício, levando à transferência para o pavilhão.
No local, equipas de enfermagem da USF e da Unidade de Cuidados na Comunidade asseguram turnos de 24 horas para acompanhar os doentes dependentes de oxigénio, havendo também médicos escalados para emergências.
Casos clínicos registados
Entre os primeiros atendimentos estiveram:
- suspeita de enfarte, encaminhada para o Hospital de Coimbra
- crise de ansiedade
- traumatismo craniano causado pela queda de uma telha
- crianças com amigdalite e episódios de dificuldade respiratória
- um homem desorientado, em hipoglicemia após dois dias sem se alimentar
Apoio social e necessidades urgentes
A vereadora da Ação Social, Ana Faria, relatou que a maioria dos acolhidos são idosos e demonstram elevado nível de ansiedade. Em alguns casos, os danos nas habitações poderão impedir o regresso, exigindo soluções de realojamento por parte do município.
O espaço tem capacidade para até 60 pessoas e inclui uma área destinada à receção de donativos. As prioridades identificadas passam por bens alimentares não perecíveis e produtos de higiene.

