Que modelos europeus apresentam menos problemas com o passar dos anos

TÜV revela os carros usados mais fiáveis na Europa: utilitário japonês lidera

Relatório analisa milhões de inspeções e evidencia contrastes entre modelos

O relatório anual da TÜV (Technischer Überwachungs-Verein), referência na avaliação da fiabilidade automóvel na Europa, analisou cerca de 9,5 milhões de inspeções técnicas realizadas entre julho de 2024 e junho de 2025. O estudo abrangeu 216 modelos distribuídos por seis faixas etárias, oferecendo uma visão objetiva sobre a fiabilidade real dos veículos, especialmente no mercado de usados.

No ano anterior, o relatório já tinha registado 10,2 milhões de inspeções e avaliado 228 modelos, segundo dados do jornal espanhol El Confidencial.

Metodologia baseada em dados reais

Ao contrário de rankings baseados em perceções de marca ou opiniões de consumidores, a análise da TÜV assenta exclusivamente em dados objetivos: a percentagem de veículos reprovados por defeitos considerados “significativos” ou “perigosos”, como falhas nos travões, suspensão ou problemas estruturais relacionados com corrosão.

Este método permite traçar um quadro fiável da utilização real dos automóveis, semelhante à inspeção periódica obrigatória em países como Espanha, mas com um volume estatístico que o torna especialmente relevante para quem pondera comprar um carro usado.

Mazda 2: O utilitário mais fiável

Num mercado dominado por SUV premium e tecnologia avançada, o estudo trouxe uma surpresa: o Mazda 2, um utilitário compacto, lidera a fiabilidade.

  • Faixa etária de 2 a 3 anos: apenas 2,9% das unidades com defeitos significativos, comparado com uma média de mercado de 6,5%.

O desempenho mantém-se competitivo à medida que o carro envelhece, numa altura em que um em cada cinco automóveis inspecionados na Alemanha é reprovado por defeitos graves, com uma taxa média de 21,5% em todas as faixas etárias.

Modelos robustos e problemáticos

Outros veículos destacam-se pela fiabilidade, como o Honda Jazz ou o Porsche 911 Carrera, com taxas de defeitos entre 2,4% e 3,1% em carros relativamente recentes.

Por outro lado, alguns modelos elétricos populares apresentam resultados preocupantes. O Tesla Model 3 registava 14,2% de avarias em veículos de 2 a 3 anos no relatório anterior, enquanto o Model Y apresenta agora a pior taxa global nesta faixa etária, entre 17,2% e 17,3%, com problemas em componentes críticos como travões, suspensão e iluminação, o que pode afetar o valor residual no mercado de usados.

Em contraste, elétricos como o MINI Cooper SE e o Audi Q4 e-tron apresentam taxas de defeitos significativamente mais baixas.

Idade e envelhecimento penalizam certas marcas

Modelos da Dacia e Renault demonstram aumentos acentuados de defeitos a partir dos 6-7 anos, intensificando-se nas faixas 8-9 anos e acima de 10 anos. Algumas berlinas premium, como o BMW Série 5 e Série 6, mostram um padrão semelhante, provando que preço elevado à saída do concessionário não garante envelhecimento mais benigno.

Para veículos com mais de 10 anos, a liderança em fiabilidade vai para:

  • Mercedes-Benz: 18,5% de defeitos graves
  • Audi: 19,2%
  • Toyota: 22%

Modelos da Volkswagen apresentam resultados sólidos em faixas etárias específicas, como o Golf Sportvan, T-Roc (4-7 anos) e Touareg (12-13 anos), reforçando a importância de analisar o modelo concreto, não apenas a marca.

Lições para o comprador de usados

O relatório deixa mensagens claras para quem procura carros usados fiáveis:

  1. Simplicidade e engenharia madura continuam a ser sinónimo de fiabilidade.
  2. A eletrificação não garante ausência de problemas, existindo diferenças relevantes entre modelos elétricos.
  3. A idade do veículo é determinante: a taxa de defeitos graves sobe de 6,4% (2-3 anos) para 28,1% (12-13 anos).

Num mercado marcado por SUV grandes, luxo e tecnologia, os dados da TÜV lembram ao comprador: mais vale apostar em fiabilidade comprovada do que em marketing sofisticado.

Admin Júnior

Sobre o Autor: Gosto de escrever, editar publicações e aperfeiçoar textos, procurando sempre qualidade, clareza e coerência na comunicação. A produção de conteúdos é uma grande paixão, pois permite transformar ideias em informação relevante. Trabalho de forma independente, com foco na aprendizagem contínua, na organização e na evolução pessoal e profissional.

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