Município de Leiria decide não realizar a "feira de Maio" em 2026

Cancelamento da Feira de Leiria em 2026

Prioridade à recuperação do concelho

A Câmara Municipal de Leiria decidiu não realizar, este ano, a habitual Feira de Leiria, um dos maiores certames populares do país. A opção surge da necessidade de concentrar recursos humanos e financeiros na recuperação do território, fortemente atingido pelas recentes condições meteorológicas adversas.

Declarações do presidente da autarquia

Em declarações aos órgãos de comunicação social, o presidente da Câmara, Gonçalo Lopes, explicou que a não realização da Feira de Maio se deve a razões operacionais. Segundo o autarca, as equipas municipais encontram-se totalmente mobilizadas para a resposta à situação de emergência, sendo essencial canalizar o orçamento disponível, numa fase inicial, para a reconstrução do concelho.

Reunião da Proteção Civil

As declarações foram prestadas após a reunião diária da Comissão Municipal de Proteção Civil, que decorre no quartel dos Bombeiros Sapadores de Leiria, local onde está instalado o centro de operações.

Articulação com as freguesias

A decisão foi previamente comunicada aos presidentes das juntas de freguesia, que demonstraram compreensão e concordância. Vários eventos planeados para os próximos meses pelas próprias freguesias serão igualmente cancelados, permitindo que os esforços sejam redirecionados para o processo de recuperação do território.

Importância histórica da Feira de Leiria

A Feira de Leiria, que em 2025 recebeu cerca de 700 mil visitantes, integra habitualmente iniciativas como espetáculos musicais, diversões mecânicas e uma forte componente gastronómica.

A sua origem remonta ao reinado de D. Afonso Henriques, que oficializou a feira através de uma carta foral em 1142. No entanto, apenas em 1295, durante o reinado de D. Dinis, Leiria passou a dispor de uma feira anual formalmente instituída.

Já no século XX, mais precisamente em 1928, a chegada do caminho de ferro contribuiu decisivamente para o crescimento e projeção do evento, reforçando a sua relevância regional e nacional.

Medidas de apoio à população afetada

Isenções e apoio habitacional

O município está a analisar a aplicação de isenções de taxas municipais, nomeadamente relacionadas com ocupação do espaço público, esplanadas e rendas de habitações municipais danificadas ou destruídas.

Está prevista a apresentação de uma proposta que prevê estas isenções desde o momento da catástrofe até ao final do ano, ou até que a situação esteja normalizada. Paralelamente, a autarquia aumentou para 30 o número de casas pré-fabricadas adquiridas, cuja entrega deverá ocorrer nos próximos dias.

Impacto nacional do mau tempo

Desde a semana passada, onze pessoas perderam a vida em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram ainda centenas de feridos e desalojados.

Entre os principais danos registados encontram-se a destruição de habitações, empresas e equipamentos públicos, a queda de árvores e estruturas, o encerramento de vias rodoviárias, escolas e serviços de transporte, bem como falhas no fornecimento de energia, água e comunicações.

As regiões mais afetadas são o Centro, Lisboa e Vale do Tejo e o Alentejo.

Resposta governamental

O Governo decretou situação de calamidade para 68 concelhos, válida até domingo, e anunciou um conjunto de medidas de apoio que poderá atingir um montante global de até 2,5 mil milhões de euros.
Admin Júnior

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