Europa pode enfrentar grande mobilidade populacional em 2026, alerta análise internacional
Retorno de milhões de ucranianos ou novas deslocações em massa dependendo da evolução do conflito
A Europa poderá assistir em 2026 a movimentos migratórios de grande escala relacionados com o conflito na Ucrânia, com cenários muito distintos conforme o desfecho da guerra, de acordo com uma análise do Centro Internacional para o Desenvolvimento de Políticas de Migração (ICMPD).
Segundo o relatório sobre as tendências migratórias para o próximo ano, caso seja alcançado um acordo de paz, cerca de 2 milhões de cidadãos ucranianos poderão regressar aos seus lares na Europa ou no próprio país. Por outro lado, se a guerra se agravar e a Rússia ocupar totalmente a Ucrânia, as deslocações de pessoas para o continente poderão atingir até 10 milhões.
Ucrânia continua a ser o principal fator migratório na Europa
O documento destaca que a guerra na Ucrânia é o conflito que mais tem influenciado os fluxos migratórios na Europa desde a invasão russa em fevereiro de 2022. Além da Ucrânia, o ICMPD identifica outros quatro países-chave cujas crises podem moldar tendências migratórias — nomeadamente Venezuela, Síria e Afeganistão — por conta de conflitos prolongados.
A organização sublinha que conflitos duradouros estão historicamente associados a altos níveis de deslocação populacional, algo que se tem verificado nos últimos anos, com um aumento de conflitos ativos a nível global.
Pedidos de asilo caíram, mas incertezas persistem
Apesar do cenário volátil, os pedidos de asilo e as chegadas irregulares à União Europeia registaram uma redução significativa — cerca de 25% nos últimos dois anos, segundo a análise do ICMPD. A organização atribui parte deste decréscimo ao reforço dos controlos migratórios por parte dos Estados europeus e dos seus parceiros, uma tendência que deverá ser consolidada com a implementação do novo Pacto Migratório da UE a partir de junho.
O novo pacto pretende reforçar a cooperação entre os Estados-membros e com países vizinhos, com especial foco na gestão de fronteiras e na retomada de regressos de pessoas que residem ilegalmente no território da UE.
Retornos a países de origem e controvérsias
No ano passado, alguns países europeus voltaram a efetuar retornos de migrantes irregulares para a Síria e o Afeganistão, em certos casos no âmbito de acordos com as autoridades desses países — uma prática que começou a ser retomada depois de muitos anos de interrupção.
O ICMPD salienta que este movimento pode marcar uma nova tendência nas políticas migratórias europeias em 2026, com uma intensificação das operações de retorno, apesar das tensões sobre direitos democráticos e preocupações humanitárias associadas a estas devoluções.
ICMPD: cooperação internacional e prioridades
O ICMPD, no qual Portugal está representado, é uma organização intergovernamental que trabalha para a cooperação internacional em asilo e imigração, formulando análises e recomendações para melhorar o controlo de fluxos migratórios, combater a imigração irregular e promover vias legais e seguras de mobilidade humana no contexto europeu e global.

