Tragédia ferroviária em Espanha provoca dezenas de vítimas
Colisão entre comboios de alta velocidade
Um grave acidente ferroviário ocorrido ao final da tarde de domingo, em território espanhol, causou pelo menos 39 mortos e mais de 70 feridos. O sinistro envolveu dois comboios de alta velocidade e registou-se cerca das 19h45 (hora local).
Local e circunstâncias do acidente
Segundo as autoridades espanholas, a ocorrência teve lugar no concelho de Adamuz, na província de Córdoba. Um comboio da operadora privada Iryo, que fazia a ligação entre Málaga e Madrid, sofreu um descarrilamento parcial, levando várias carruagens a ocuparem a linha ferroviária contígua.
Impacto com comboio da RenfeNo momento do descarrilamento, circulava em sentido oposto um comboio da empresa pública Renfe, que efectuava o percurso Madrid–Huelva. A obstrução da via resultou numa violenta colisão, atingindo os dois primeiros vagões da composição da Renfe, que acabaram por sair da linha e cair por um aterro com cerca de quatro metros de altura.
Tragedia en España. Un tren Iryo descarriló en Adamuz (Córdoba) y luego se fue a impactar con un Alvia, tras lo cual varios vagones fueron despedidos con gente adentro. Reportes indican que hay al menos 21 muertos, pero la cifra podría aumentar debido a que continúan las… pic.twitter.com/dV3T9V1daI
— Sandra Romandía (@Sandra_Romandia) January 18, 2026
Balanço provisório das vítimas
As autoridades confirmam, até ao momento, 39 vítimas mortais e 75 feridos, sendo que 15 apresentam ferimentos graves. As operações de emergência mobilizaram um vasto dispositivo, envolvendo bombeiros, equipas médicas e forças de segurança.
Situação hospitalar
De acordo com informações divulgadas pela comunicação social espanhola, 48 pessoas permanecem internadas. Deste número, 11 adultos e duas crianças encontram-se em unidades de cuidados intensivos, exigindo acompanhamento clínico apertado.
Dificuldades nas operações de resgate
Segundo o jornal El País, entre as vítimas mortais está o maquinista do comboio Alvia, de 27 anos. O comandante dos Bombeiros de Córdoba revelou que os trabalhos de socorro foram particularmente complexos, devido ao elevado número de passageiros encarcerados nas carruagens e à destruição severa da estrutura dos vagões, o que dificultou o acesso às vítimas.
Acompanhamento político
Na sequência da tragédia, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, anunciou que se deslocará ao local do acidente na manhã de segunda-feira, com o objectivo de acompanhar a situação no terreno e manifestar apoio às vítimas e aos seus familiares.
Situação de cidadãos portugueses
Sem registo de vítimas nacionais
O Ministério dos Negócios Estrangeiros português informou que, até ao momento, não existem indicações de cidadãos portugueses entre os mortos ou feridos. As autoridades nacionais continuam a acompanhar o caso em articulação com os serviços espanhóis.
Investigação às causas do acidente
Comissão técnica já constituída
As causas do acidente permanecem por apurar. Foi entretanto criada uma comissão técnica especializada para investigar as circunstâncias da colisão. O ministro espanhol dos Transportes, Óscar Puente, classificou o incidente como “particularmente estranho”, sublinhando que ocorreu num troço rectilíneo da linha.
Infraestrutura e material circulante recentes
Segundo o governante, o comboio da Iryo envolvido no descarrilamento tem menos de quatro anos, e a linha ferroviária foi alvo de obras de modernização recentemente concluídas, num investimento próximo dos 700 mil euros. A última inspecção à composição, fabricada em 2022, havia sido realizada poucos dias antes do acidente.
Testemunhos dos passageiros
Relatos de momentos de pânico
Começam a surgir depoimentos de passageiros que seguiam nos comboios. María San José, de 33 anos, descreveu vários solavancos antes de uma paragem abrupta, que provocou a queda de bagagens. Ao sair, deparou-se com carruagens retorcidas e vagões tombados do outro comboio.
Outro passageiro, Santiago, de 44 anos, relatou que a composição começou a oscilar violentamente antes de imobilizar. Referiu ainda que os meios de socorro demoraram cerca de uma hora a chegar, acrescentando que tentou ajudar pessoas presas entre os destroços, apesar das enormes dificuldades.
“Parecia um terramoto”
Já María Vidal, de 32 anos, que viajava no comboio da Iryo, comparou o impacto a um sismo, relatando uma paragem brusca, falha de energia e pedidos da tripulação para que médicos a bordo prestassem auxílio. Permaneceu cerca de 40 minutos dentro da carruagem e testemunhou situações de extrema gravidade.
Reacções e solidariedade internacional
Mensagens de pesar
A tragédia gerou uma ampla onda de solidariedade. O Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, endereçou uma mensagem oficial ao Rei de Espanha, Felipe VI, manifestando condolências às famílias das vítimas e desejando rápidas melhoras aos feridos.



