A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, defendeu esta quinta-feira que a União Europeia (UE) deve afirmar uma posição de unidade e firmeza, deixando críticas à atuação do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a quem acusa de não respeitar alianças internacionais.
Em declarações à rádio RTL, Lagarde foi questionada sobre a relação transatlântica e sobre se Washington continua a ser um aliado dos europeus. Em resposta, considerou que o comportamento de Trump é “muito estranho” e garantiu estar atenta à evolução da situação.
“Fazer ameaças de apropriação de territórios que claramente não estão à venda, como a Gronelândia, bem como recorrer a tarifas e a outras barreiras ao comércio internacional, não corresponde à atitude habitual de um aliado”, afirmou.
Segundo a responsável do BCE, as políticas seguidas pela administração norte-americana poderão conduzir a uma “nova ordem internacional”, com impactos significativos na economia europeia e uma “profunda reorganização” do seu modelo económico.
Na mesma entrevista, Lagarde sublinhou a necessidade de os países europeus identificarem e utilizarem os instrumentos ao seu dispor para demonstrarem coesão e determinação coletiva face às posições assumidas por Donald Trump.
A presidente do BCE considerou ainda essencial que a Europa se mantenha unida e firme, sobretudo num contexto em que o chefe de Estado norte-americano tem vindo a redefinir estratégias nos domínios da defesa e da economia.
Questionada sobre eventuais preocupações, Lagarde afirmou estar “alerta”, referindo que a sua principal inquietação prende-se com a instabilidade e a incerteza criadas à escala global pelas posições do Presidente dos Estados Unidos, com possíveis reflexos nos resultados económicos.
Manifestou também a expectativa de que os economistas próximos de Trump o alertem para as consequências das tarifas adicionais que ameaçou aplicar aos produtos europeus.
Lagarde mostrou-se convicta de que o Presidente norte-americano acompanha atentamente a evolução dos mercados financeiros, observando que as recentes quedas registadas nas bolsas, na terça-feira, são um sinal pouco tranquilizador.
Na sua análise, a “nova ordem internacional” impulsionada por Donald Trump deverá obrigar a Europa a uma revisão profunda da forma como a sua economia está estruturada. Donald Trump deverá intervir ainda esta tarde no Fórum Económico Mundial, que decorre em Davos, na Suíça.
