Governo disponibiliza até 10 mil euros a produtores afetados pela tempestade Kristin

Governo anuncia pacote de 2,5 mil milhões de euros para apoiar vítimas da depressão Kristin

Apoio à habitação e às explorações afetadas


O primeiro-ministro anunciou este domingo um conjunto de medidas de apoio, que poderá atingir 2,5 mil milhões de euros, com o objetivo de mitigar os prejuízos provocados pela depressão Kristin. Entre as medidas, destaca-se o apoio à reconstrução de habitação própria e permanente para cidadãos afetados sem seguro, até 10 mil euros, “sem necessidade de documentação”, segundo Luís Montenegro.

O mesmo tipo de apoio estende-se a explorações agrícolas e florestais danificadas pelo temporal. No entanto, o pagamento destes apoios depende de vistoria das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) e de técnicos das câmaras municipais, para confirmar a existência e a extensão dos danos.

Ao todo, foram anunciadas 14 medidas, incluindo a prorrogação da situação de calamidade até 8 de fevereiro, mantendo ativos os mecanismos excecionais de coordenação e resposta no terreno.

Estrutura de missão para recuperação

Foi criada uma estrutura de missão para coordenar a recuperação dos territórios atingidos, com sede em Leiria, sob a liderança do ex-presidente da Câmara do Fundão, Paulo Fernandes. Esta equipa irá articular com ministerérios, autarquias, CCDR, setor social e empresas dos concelhos afetados.

As companhias de seguros comprometeram-se a realizar 80% das vistorias nos próximos 15 dias. Para efeitos de acionamento de seguros, registos fotográficos dos danos serão considerados suficientes. As obras de reconstrução em habitações, unidades industriais e explorações agrícolas ou florestais ficam dispensadas de licenciamento municipal e de controlo urbanístico ou ambiental, ao abrigo de regimes excecionais.

Setor agrícola fortemente afetado: suinicultura

No setor agrícola, a suinicultura foi uma das atividades mais afetadas. O presidente da Federação Portuguesa das Associações de Suinicultores (FPAS), David Neves, alertou para trabalhadores isolados em explorações com acessos obstruídos e para milhares de animais em risco por falta de água ou alimentação.

David Neves destacou que os impactos foram mais graves nas regiões Centro, Oeste e Vale do Tejo, com cortes de energia, telecomunicações limitadas e infraestruturas severamente danificadas.

Coordenação com Ministério da Agricultura e matadouros

A FPAS está em contacto com o Ministério da Agricultura, para apresentar uma estimativa dos prejuízos e definir mecanismos financeiros que ajudem as empresas afetadas.

O gabinete ministerial também está a contactar operadores de retalho, incentivando a compra prioritária de carne de porco dos matadouros que receberam animais das zonas sinistradas. Para facilitar o abate, inspetores sanitários foram disponibilizados durante o fim de semana, e será permitido transporte excecional de animais sem guia, nos casos em que a emissão seja impossível devido à quebra de comunicações.
Admin Júnior

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