As autoridades militares de Israel afirmaram esta terça-feira ter realizado bombardeamentos sobre quatro pontos de travessia na fronteira entre o Líbano e a Síria, alegando que os locais eram utilizados para o contrabando de armamento destinado ao movimento xiita Hezbollah. Segundo o exército israelita, as operações tiveram lugar na zona de Hermel, no leste do território libanês.
Na mesma comunicação divulgada através da plataforma X, Israel anunciou ainda a morte de Muhammad Awasha, perto da cidade de Sidon, identificando-o como uma figura-chave no fornecimento de armas ao Hezbollah, organização apoiada pelo Irão.
De acordo com os militares israelitas, Awasha teria um papel determinante na logística do tráfico de armamento, recorrendo a uma empresa fictícia para adquirir e transportar materiais ilegais a partir de países como o Iraque, a Síria e várias nações do Golfo.
Ao longo do dia, Israel levou igualmente a cabo novos ataques aéreos contra posições atribuídas ao Hezbollah no sul do Líbano. Fontes da agência noticiosa libanesa referiram que edifícios em cinco localidades foram atingidos, provocando 19 feridos, conforme dados divulgados pelo Ministério da Saúde libanês.
A agência France Presse noticiou ainda que dois veículos foram alvo de bombardeamentos: um nas proximidades de Sidon, a maior cidade do sul do país, e outro perto da cidade costeira de Tiro. Estes ataques terão causado duas vítimas mortais, segundo as autoridades de saúde do Líbano. Israel justificou as ações afirmando ter atingido combatentes do Hezbollah.
Estes desenvolvimentos surgem após o exército libanês ter anunciado, no início de janeiro, a conclusão do processo de desarmamento do Hezbollah na faixa meridional do país, situada entre a fronteira com Israel e o rio Litani, a cerca de 30 quilómetros para norte.
As localidades agora visadas localizam-se precisamente a norte do Litani e fora da zona desmilitarizada monitorizada pelas forças das Nações Unidas.
Apesar do cessar-fogo alcançado entre Israel e o Hezbollah em novembro de 2024, o exército israelita continua a realizar ataques frequentes, acusando o grupo libanês de violar os termos do acordo e de tentar reconstituir o seu poder militar.
O Hezbollah faz parte do chamado “eixo da resistência”, alinhado com o Irão, e entrou em confronto com Israel pouco depois do início da guerra na Faixa de Gaza, em outubro de 2023, manifestando apoio ao movimento palestiniano Hamas.
Após quase um ano de confrontos armados ao longo da fronteira israelo-libanesa, Israel desencadeou, no verão de 2024, uma ofensiva aérea de grande escala que eliminou grande parte da liderança do Hezbollah, incluindo o seu histórico secretário-geral, Hassan Nasrallah, bem como outros dirigentes políticos e militares de topo.
Desde a entrada em vigor do cessar-fogo, o Estado libanês tem procurado concentrar todo o armamento sob controlo das forças oficiais de segurança e reforçou a presença militar junto à fronteira com Israel, uma região tradicionalmente dominada pelo Hezbollah, onde ainda subsistem posições israelitas.
Num comunicado divulgado hoje, as forças armadas libanesas denunciaram o que classificam como “agressões israelitas persistentes”, acusando-as de atingirem edifícios e habitações civis, e advertiram que tais ações comprometem o trabalho do exército e dificultam a execução do plano em curso.
Por sua vez, o Hezbollah acusa o governo de Beirute de agir sob pressão de Washington e de Telavive. A Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL), presente no sul do país há quase cinquenta anos, deverá concluir o seu mandato em 2026. No primeiro ano após o cessar-fogo, a missão registou cerca de 10 mil violações do acordo.
