Denúncia aponta para alegados abusos sexuais de adolescente por forças do Irão!

A organização Kurdistan Human Rights Network (KHRN) acusa as autoridades iranianas de praticarem abusos sexuais contra pessoas detidas durante a mais recente vaga de protestos no país, incluindo uma adolescente de 16 anos. Estão igualmente em curso investigações sobre mortes que terão ocorrido enquanto os detidos se encontravam sob custódia das forças de segurança.



Segundo a KHRN, a jovem fazia parte de um grupo de manifestantes detidos na cidade de Kermanshah, no oeste do Irão. A organização recolheu os testemunhos de dois detidos que afirmam ter sido vítimas de abusos cometidos por elementos da polícia de choque durante o período de detenção.

Rebin Rahmani, membro da direção da KHRN, afirmou que a organização manteve contacto com familiares da adolescente, que relataram agressões graves. De acordo com o responsável, os detidos terão sido tocados em zonas íntimas com bastões. “As forças de segurança bateram e pressionaram a zona anal com um bastão, por cima da roupa”, declarou Rahmani, citado pelo jornal britânico The Guardian. O dirigente sublinhou ainda que o bloqueio quase total das comunicações imposto pelas autoridades iranianas tem dificultado a obtenção de informações adicionais sobre o paradeiro e o estado dos detidos.

As denúncias surgem num contexto de forte repressão, com várias organizações de defesa dos direitos humanos a alertarem para o elevado número de detenções desde o início dos protestos. Situação semelhante foi relatada em 2022, na sequência das manifestações desencadeadas pela morte de Mahsa Amini, quando vários detidos denunciaram violações, agressões físicas e atos de tortura.

Quanto ao número de vítimas mortais, os dados variam consoante as fontes. O jornal Sunday Times refere mais de 16.500 mortos, citando informações recolhidas por uma rede de médicos iranianos, segundo a qual a maioria das vítimas tinha menos de 30 anos e haverá cerca de 330 mil feridos. Já a agência Reuters aponta para cerca de cinco mil mortos, incluindo 500 membros das forças de segurança, com base em declarações anónimas atribuídas a um responsável governamental iraniano, que acusa “terroristas e amotinados armados” de serem responsáveis pela morte de “cidadãos inocentes”.

Por sua vez, a organização curda Hengaw, sediada na Noruega, denunciou a morte de pelo menos um manifestante em resultado de tortura enquanto se encontrava detido. Trata-se de Soran Feyzizadeh, de 40 anos, preso a 7 de janeiro durante os protestos. A família foi informada da sua morte dois dias depois. Segundo Awyar Shekhi, representante da Hengaw, “o corpo estava quase irreconhecível devido à gravidade dos ferimentos provocados por repetidas agressões”, acrescentando que os familiares foram obrigados a pagar uma quantia elevada para recuperar o corpo junto das autoridades.

Um familiar próximo de Feyzizadeh relatou ao Guardian que lhe foi impedido o regresso à cidade de Saqqez, no oeste do Irão, para participar no funeral. “A cidade estava fortemente militarizada e a circulação totalmente condicionada. Queria estar com a minha família, mas não me foi permitido”, afirmou.

Rebin Rahmani referiu ainda que estão a ser investigados outros casos de mortes alegadamente ocorridas sob custódia policial. No entanto, tanto organizações iranianas como internacionais alertam para a dificuldade em apurar a verdadeira dimensão da repressão, devido à ausência de dados oficiais e ao bloqueio da internet imposto pelas autoridades.

O Irão vive uma nova vaga de protestos desde 28 de dezembro, iniciada em Teerão por comerciantes e setores económicos afetados pelo colapso do rial e pela inflação elevada. As manifestações alastraram rapidamente a mais de uma centena de cidades e acabaram por evoluir para um movimento mais amplo de contestação ao regime da República Islâmica.

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